domingo, maio 13, 2007

Eu vivia num pacotinho com mais três Calcinhas até que, uma arranjou uma namorada, a outra fez as pazes com o namorado antigo e a próxima resolveu casar. Fiquei avulsa. Como é de praxe com qualquer Calcinha solteira, resolvi cair no mundo com o coração e alguns botões abertos , porque auto-suficiência sempre foi meu forte (e ser a calcinha aventureira é minha sina), mas algumas noites frias refutam qualquer teoria do eu-não-preciso-de-alguém-pra-estar-feliz.Seria eu, a consolidadora da teoria de sexo frágil? Cruzes! Então abri o jornal de domingo pensando que poderia simplesmente preencher meu dia com muita cultura, lavar minha alma desse desamparo que é um domingo com os ecos das olimpíadas do Faustão. Foi quando, lendo os milhares de anúncios de páginas inteiras da Casa e Vídeo (mês das noivas), da Casas Bahia (mês das noivas, né?), da Insinuante (até vestidos de noiva mais baratos),do Mundial (descontos especiais para as noivas), tive a idéia: por que não anunciarem homens cultos, inteligentes e gentis, que não são garotos de um só programa, oferecendo companhia para as tardes de domingo com direito a visitas a museus, conversas sobre literatura em cafés-aconchegantes e mais gentilezas-surpresas de bônus (incluindo um intervalo para meu cheque especial). Detalhe: no preço do aluguel, estaria incluso o bofe pagar a conta e todos os ingressos dos eventos.
Então fui à página de anúncios para acompanhantes (vai que alguém teve essa excelente idéia e ainda divide o valor de sua companhia em 3 vezes no cartão, sem juros). Encontrei Dianas que fazem tudo, Sthéfanies que têm corpo de modelo, Gessykas hermafroditas, Heleninhas Raio- Laser, Hildas Furacão ( relembrando que esta, na sua primeira aparição e "execução profissional", trajava vestido de noiva), Rapunzel com três litros de silicone e uns tais Raul-trinta-centímetros-de-prazer.
Resultado: aluguei um vídeo " Solteiro no Rio de Janeiro", pedi uma pizza (brotinho),abri um vinho (chileno) e escrevi este texto (desabafo). Na falta de companhia, é melhor gastar seu dinheiro com coisas úteis. Vai que o entregador de pizza dá um caldo...

2 comentários:

Carolingüista disse...

Eu tô num desses momentos... Solitária, nas noites frias de Brasília, sem poder sair por conta de uma cirurgia... É mole? Acho que hoje à noite vou chamar um entregador. rs.
Ótimo texto! Posso reproduzir texto daqui no meu blog com os devidos créditos?
Beijos
Amo o Calcinhas ao Léo!

Anônimo disse...

puxa quem sabe esse entregador de pizzas nao da um caldo mesmo?